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domingo, 6 de maio de 2007

Homens e animais




Ao longo da História, os seres humanos têm tido sempre a maior das preocupações em se distinguirem dos animais. Falamos , raciocinamos, imaginamos, prevemos, adoramos, amamos. E eles não o fazem. A insistência histórica num fosso intransponível entre os seres humanos e os outros animais sugere que tem por fundamento alguma necessidade ou função. Porque é que nós, seres humanos, tão frequentemente nos autodefinimos por via da diferenciação dos animais? Porque é que essa distinção entre homem e besta é tão importante?(...)

(...) Assim, a distinção entre o Homem e a besta serviu para manter o Homem no topo. As pessoas definem-se a si mesmas como diferentes ou semelhantes dos animais consoante é conveniente ou divertido, por forma a manterem a sua predominância sobre eles. (...)

Masson, J., McCarthy, S., Quando os Elefantes Choram, Sinais de Fogo

sexta-feira, 4 de maio de 2007

O homem é um mistério para si próprio


O homem não deve poder ver a sua própria cara. Isso é o que há de mais terrível. A natureza deu-lhe o dom de não a poder ver, assim como de não poder fitar os seus próprios olhos.
Só na água dos rios e dos lagos ele podia fitar seu rosto. E a postura, mesmo, que tinha de tomar, era simbólica. Tinha de se curvar, de se baixar para cometer a ignomínia de se ver.
O criador do espelho envenenou a alma humana.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Alma azul

terça-feira, 1 de maio de 2007

O Homem é uma incognita para si próprio


Todos sabemos que somos animais da classe dos mamíferos, da ordem dos primatas, da família dos hominídeos, do género homo, da espécie sapiens, que o nosso corpo é uma máquina com trinta biliões de células, controlada e procriada por um sistema genético que se constitui no decurso de uma longa evolução de 2 a 3 biliões de anos, que o cérebro com que nós pensamos, a boca com que falamos, a mão com que escrevemos são orgãos biológicos, mas este conhecimento é tão inoperante como o que nos informa que o nosso organismo é constituído por combinações de carbono, de hidrogénio e de azoto.
Morin, Edgar, O Paradigma Perdido, Publicações Europa-América